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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Leitura para o Papai e Mamãe_Pressa, livre-se dela




O Lindas Lendas posta esse texto para que Papai, Mamãe, Tios, avós, professores e todos os adultos que estejam interessados na Educação, Cuidado e Felicidade de suas crianças possam repensar um pouco sobre suas vidas.


Pressa, livre-se dela

Por Deise D. G.

A pressa realmente é um dos maiores males dos tempos modernos.

Às vezes parece que o próprio tempo está com pressa e passando mais rápido do que gostaríamos. Talvez porque nosso dia esteja preenchido com mais tarefas do que comporta seu perfeito período de 24 horas.

Mas será que isso justifica esse nosso comportamento em relação à falta de paciência, junto à educação de nossos filhos e das crianças com quem convivemos, quer na família, no trabalho ou na sociedade? Diga-se de passagem, paciência essa que se encontra presente em muitos outros setores de nossas vidas, como por exemplo: uma hora de academia por dia, abrir a caixa de e-mails várias vezes ao dia, conversar no MSN, reuniões via Skipe. Certamente todas essas coisas são necessárias, mas ate que ponto elas nos tiram alguns preciosos momentos junto de nossa família?

Estamos num processo de trabalho 8 horas por dia, na maioria das vezes, e para isso, pelo menos nas grandes cidades ficamos fora de casa por volta de 10 a 11 horas, no mínimo, diariamente, se formos contar o tempo que passamos em trânsito.

Os cursos, palestras, trabalhos que muitos têm quase que continuamente, para poder acompanhar a exigência do mercado além de reuniões, horas extras e quem sabe até dois empregos para poder manter a dignidade de nossas famílias, nos custa boas horas do dia e na maioria dos casos, também da noite.

Um cansaço físico grande devido a todas essas atividades e aliado a esse cansaço, o desgaste mental, já que além de todas essas preocupações e exigências que temos que cumprir, vivemos uma época onde tudo acontece aqui e agora.

Parece que estamos “conectados” em tempo integral. Uma noticia sobre um acontecimento trágico ou apenas polêmico que tenha acontecido em nosso bairro e que ficamos sabendo através do dono da padaria ou do porteiro do prédio nos abala tanto quanto um terremoto onde milhares de pessoas morreram que tenha ocorrido em qualquer lugar desse planeta.

Estamos todos muito próximos e isso é claro acentua o nível de estresse em nossas vidas, já que somos humanos e nos sensibilizamos com a dor do outro.

Em meio a esse turbilhão de informações e emoções chegamos em casa depois de um dia exaustivo e..........
E nosso filho nos recebe feliz e gritando, até porque ele é criança e criança fala alto. Nesse momento nos sentimos em meio ao trânsito da Avenida Paulista, onde ficamos durante duas horas, e então começamos outro exercício de paciência, só que agora já exaustos. A pobre da criança que tinha tanta coisa para nos contar, tanta brincadeira para brincar, tanto grito para gritar, tanta energia para pular, tanto carinho para pedir (e dar), de tão eufórico que ficou com nossa chegada, já levou umas broncas e foi brincar no quarto. Afinal o papai precisa assistir ao jornal.

Eu poderia relatar outras realidades, mas acho que mudaria apenas o nome da Avenida, o programa de TV, o sexo e parentesco da criança, pai, mãe, tios, avós, um e outro detalhe, mas o sentido seria o mesmo.

A nossa pressa faz com que apressemos a infância de nossas crianças.
Eu me pergunto, e no século XVI, XVII, XVIII ???? A infância também era vista como algo que deveria passar logo, isso quando “era reconhecida”.

Qual seria a Pressa daquela época? Sim porque naquele tempo o tempo não tinha tanta pressa de passar, a humanidade não tinha necessidade de acelerar os acontecimentos como ocorre hoje em nossos dias.

Será que realmente existe algo que justifique essa pressa, ou será que criança é algo que ainda nos dias de hoje, “incomoda”?

Será que nos sentimos incomodados porque ter alguém que dependa de nós, de nossa proteção, de nossos cuidados especiais seja algo tão sério para encararmos com leveza ou naturalidade?
Será que quando uma criança questiona, são os nossos porquês que ouvimos e por isso fica tão difícil responder?

Será que quando uma criança grita, são os nossos gritos abafados, não ecoados, calados de uma época criança, portanto tão difícil de ser ouvido hoje por nós?

Qual será nossa pressa quando queremos que nossos filhos durmam logo? Será que é para nos vermos livres e podermos assistir a um programa de TV tranquilamente, ou será que é apenas para termos a certeza de que mais um dia terminou bem e nossos corpos e mentes precisam descansar para recuperar as energias porque amanhã temos mais uma batalha ao longo do dia?

E sem pressa ainda que sem tempo para perder tempo paro por aqui com uma proposta para reflexão:

Se todas as coisas da natureza acontecem em seu tempo, se uma fruta amadurece na arvore em seu tempo de amadurecer, se uma vida humana leva por volta de nove meses no ventre até se formar e estar pronta para nascer, se um dia leva 24 horas para completar seu ciclo, e por aí vai....Porque temos tanta pressa e tanta falta de paciência em nossa vida, principalmente em nosso dia a dia?

Será que nos afastamos da natureza e de nossa natureza ou apenas assumimos que realmente somos “gente grande”?

Onde está agora a sua criança?
Quando você recuperará os momentos que deixou de viver hoje?
O tempo volta?

Reflexão

1. Quais as coisas realmente importantes em meu dia que não posso deixar de fazer? Por quê?
2. Quanto tempo de meu dia dedico para fazer algo que realmente gosto?
3. O que posso mudar para que meu dia seja mais leve e prazeroso?
4. Em meu dia existe um tempo para
a. atividade física
b. orações, meditações
c. boa alimentação
d. brincar, conversar, ficar com minha família
5. Qual a ultima vez que fui ao cinema ou teatro com minha família?
6. Qual a ultima vez que dei um telefonema apenas pelo prazer de ouvir uma voz amiga?
7. Posso ajudar alguém todos os dias?
8. Qual a ultima vez que ri até ficar com dor na face? Procure lembrar alguns detalhes desse dia.
9. Tenho metas? Quais?
10. O que realmente é importante para mim?
11. Sou feliz?

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